Terça-feira, Fevereiro 12, 2008


A belíssima Nastassja Kinski como Rafaela em Faraway So Close

postado por Flávio | 03:08 | |


Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

A angústia sempre foi minha parteira. Nunca a amei e em nada desejada esteve em meu fazer. Não a culpo, não me culpo, não a exconjuro. Aprendi nos arfares e soluços a respeitar as contingências da dor. Sempre quis escrever diários felizes e só buscava tais páginas nos anversos da felicidade. Tive sempre em cada página a sensação de lidar com magia. Eu em tudo mastigo o mundo, comendo pessoas, bichos e folhas. Cada pedaço da minha pele, cada centímetro de meus orgãos é um papel tingido de mundo. E por tal devia me considerar em ares de um pesar mundano. Mas os dias me trazem uma querência sôfrega de esperar pelos ventos de um tempo além. E em luta com o acordar diário, vou parindo querências. Levanto, não olho a janela, não vejo o trânsito. Não vejo a tabacaria e nem a árvore que engole meu céu. Meus olhos custam a se entender com a luz. Minha vida prossegue, tal como um chapéu aberto à chuva. Promessas de sol, promessas de esmero. Um passo a mais e o espelho está aberto. Me sento e ali converso, trocando sorrisos e olhares com os estranhos da grande avenida.

Da estranheza da noite, a pergunta amiga me fala sobre carícias e estranhos. Paro e pouco tenho a dizer. E neste nada, habitual da preferida omissão, descubro a angústia dos meus versos. A estranha e delicada arte de hesitar, efeito vago entre os nós do mundo. Às vezes, regurgito.

postado por Flávio | 04:08 | |


Terça-feira, Novembro 27, 2007

A cada ponto, a cada palavra, cada verso, cada intento, cada lamento, cada frase, de mal gosto e sofrer, cada espinho, cada grão e cada branco, cada doer, a cada vinho e cada sangue, a cada salto e nada em troca, cada lâmina e mal fazer, cada errar em cada caminho, me digo errado em cada ponto, me faço andante em cada espinho, sorriso triste em cada pálpebra, cada cama, sonhar rasgado, espelhos, lamentos de mim, cada erro e cada vagar, sempre em mim, demasiado em todos, e nada mais, por fim e sempre desejar, espinhar, urdir.

postado por Flávio | 03:39 | |


Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Duas boas descobertas dignas de nota. O primeiro é o programa de free TV chaamado Joost. Instalei de bobeira, mas o mesmo me surpreendeu profundamente. A qualidade de streaming é ótima e existe ótimos canais. Recomendo com força a instalação. A segunda descoberta foi o video Supermoine que posto logo abaixo para que vocês possam ver. Encontrei tal video no canal "Aniboom" do Joost. Sensacional. É a minha cara isso aí! [LOL]

postado por Flávio | 21:10 | |


Quinta-feira, Julho 19, 2007

Na virada de 1995 para 1996, eu tive um problema em meu pulso e sofri a quase chorar para digitar minha monografia de economia. Recebi tempo depois um presente que vem me acompanhando há anos. Trata-se do Microsoft Natural Keyboard Elite. Por quase dez anos trabalhei com este bichinho, me aliviando de várias dores na mão. Foi realmente uma benção. Eis, no entanto, que o bichinho veio a falecer há uns vinte dias atrás, me deixando literalmente na mão. Problema desesperador foi não encontrar substituto algum aqui pelas terras tupiniquins. Minha salvação foi o Ebay, no qual pude comprar essa outra maravilha de teclado chamado Microsoft Natural Ergo Keyboard. Não é por nada, não, mas... o negócio parece uma verdadeira espaçonave. Coisa de doido!

postado por Flávio | 16:58 | |


Sexta-feira, Julho 13, 2007



Pois é isso, saí do Orkut. Por razões meio insanas, para me livrar de uma certa insanidade, cometi o orkutcídio. Vou voltar para o meu cantinho e plantar as minhas letras novamente por aqui. Muita gente, muita informação, muita coisa para os meus olhos hiperativos se deleitarem. Melhor o meu canto tranquilo e uma vara para pescaria de sonhos aqui.

postado por Flávio | 16:38 | |


Quinta-feira, Junho 14, 2007

Eis que meus arquivos voltaram! Confesso que fiquei muito feliz. E eu devo este retorno aos colegas Julio (Julio's Pub) e Davis (Davis Sousa Blog). Foram os dois que resolveram o meu problema, tendo a devida paciência para procurar aquilo que havia de errado. Meus sinceros e profundos agradecimentos aos dois. Portas abertas, agora - prometendo textos em breve.

postado por Flávio | 21:11 | |


Domingo, Junho 10, 2007

Descobri este interessante serviço anti-plágio chamado Copyscape. Com ele, é possível descobrir se seu conteúdo está sendo usado em alguma parte da net, sem a devida autorização ou sem que os preceitos do Copyleft sejam seguidos. Dei uma pesquisada e acabei encontrando um outro blog se utilizando de um texto meu, sem referências. Não deixa de ser interessante, se descobrir por aí...

postado por Flávio | 23:51 | |


Sexta-feira, Junho 08, 2007

Que tal nos tornarmos uma animação de computador? Que tal a virtualização plena? Eis o que nos oferece o Gizmoz.

push down
gently
but firmly
until the body is fully connected


by touching
a grounded metal surface
firmly
until the body is fully connected

postado por Flávio | 18:43 | |

Recomendo a visita ao inusitado Talaria: Museum Store for a Culturally Inspired Mind. Eles transformam, por exemplo, figuras clássicas de pintores tais como Brugel, Dali, Archimboldo em miniaturas 3d. É realmente um barato!

Vejam só este pássaro, tirado de um quadro de Hieronymus Bosh:

postado por Flávio | 17:57 | |


Quinta-feira, Maio 31, 2007

Elaborei uma tabela com todos os versículos bíblicos relacionados ao vinho e à "bebida forte". Se alguém tiver interesse, a tabela está aqui.

postado por Flávio | 02:46 | |


Terça-feira, Março 27, 2007

Maldito Blogger mil vezes! Entrei na página deste infeliz sistema e me propuseram a mudança para a minha conta no Google. Pois bem, lá vou eu na sua ingenuidade fazer a mudança! Resultado! Meus arquivos não aparecem mais no template e eu não consigo mais atualizar posts pelo Wbloggar. Malditos! Malditos! Malditos! Eu já não tenho mais saco para ficar mexendo nestes html's da vida, não. Oh saquinho!

postado por Flávio | 23:02 | |








Salve meu amigo Silveira ,



Christmas Island! Christmas Island! Meu Deus, onde você foi parar!? Os anos passam, o rumo das coisas faz capricho de nossos planos, mas você continua incansável nessa sua busca. Em verdade, uma velha amiga me disse com ar professoral, uma certa vez em Araxá, que a vida é um vazio. Lidar com este vazio, preencher este vazio é a única opção que nos resta. Não que isso não tivesse passado pela minha cabeça antes, mas a partir daquele dia passei a levar mais a sério aquela frase. Tornou-se claro o que ela queria me dizer com aquilo - salvar-me da ilusão ou das ilusões. Fico me perguntando se ela tocou meu céu do impossível ao contar "o segredo". Poderia dizer que ela matou a virgindade dos meus sonhos, mas seria maldade para comigo e com ela. Me lembro de já ter te contado isso uma vez. Me lembro de já ter me contado isso mil vezes. A vida é um vazio, a vida é um vazio, a vida é um vazio... e me repetir nessa melancolia inútil. A vida é um vazio a ser preenchido. A plenitude deste pensamento é a de alcançar uma serenidade para o inevitável, para a limitação da criatura finita, frágil, sem propósito. Mas toda as religiões ou toda forma de religiosidade, incluindo as atéias, nos querem fazer crer que a vida tem um sentido, que temos uma missão no mundo. A regra internalizada é essa - a vida tem sentido - sua vida tem sentido - minha vida tem sentido. E de repente POW... passo a descobrir que eu é quem sou o inventor dos sentidos.


Me lembrei das tuas buscas, Silveira. Li e reli a sua carta por 3 vezes. Tentei imaginar de fato o que está acontecendo contigo aí nessa ilha. Fiquei preocupado com seu sumiço, você escreveu bem - eu teria feito de tudo para evitar essa sua partida. Fiquei triste, o Paulo, a Nísia e o Jesualdo também me disseram. Falei também com o Nelson depois que recebi a carta. Ele saiu para o Marinho para tomar uma cachaça em sua homenagem. Achei muito engraçado. Não pude contê-lo. Recebi também as caixas de vinho e confesso que eles são o seu retrato quando passo na adega que acabei montando na copa. Obrigado. Por aqui as coisas vão trilhando o seu caminho, sabe-se lá para preencher o tal vazio da vida, ou do tempo. Na terça passada, dia 7, eu tive um sonho dos mais estranhos. Sonhei pela primeira vez na vida que tinha morrido. Olha só que loucura! Eu anotei tudo no computador pela manhã:


"eles estavam na fila me empurrando, mas eu sabia que ali era a Síria. Haviam outros também, brasileiros, mas ninguém mais conhecido. O passaporte, a identidade, o visto em mãos. Era uma espécie de galpão atrás de um muro alto e lá fora havia a guerra. A gritaria era enorme. Parecia um mercado persa, mas era o mercado do desespero. Vejo uma senhora gorda gritando e todos gritam de volta naquele idioma que eu não fazia idéia do que era. Árabes, árabes e mais árabes. Tento passar e o oficial de bigodes me libera. Saio por um grande portão e entro em um galpão ainda maior, parecendo uma enorme antesala de aeroporto, sinto o ar seco apertando minha garganta. Um casaco na mão e os documentos ainda por guardar. Olho assustado, vou andando, tento chegar até uma escada. Gritaria, os bancos se reviram, transformam-se em trincheiras. Agora são asiáticos com rifles nas mãos. E gritam. Sinto um fisgada no ombro e olho a cor do sangue se abrindo num vão pelo casaco. A dor aguda e mais um tiro no braço. Caio para o lado, tudo fica quente, uma dor, uma vontade de vomitar, tonteio, não posso morrer. Corro para o outro lado, mas pela frente, por trás levantam-se armas num fogo cerrado. Eu vejo tudo, vejo a inevitabilidade do fazer. Balas voando cortando ar e o cheiro de pólvora aumentam o sufoco. Grito com o corpo aberto, transpassado, cortado, rubro, varado pela morte. Não me safo. Eu morro."


Não sei se antecipo a guerra no Iraque, a guerra na Coréia ou minhas próprias batalhas. Dizem que sonhar com a morte é sinal que a pessoa passa por um conflito forte e precisa fazer uma opção. Transição e ruptura, renovação e amadurecimento, todas essas palavras eu encontrei na busca por uma interpretação. Eu já tinha sonhado com morte e como pessoas falecidas, mas nunca tinha sentido de uma forma tão crua a minha própria morte. Mas falar de arquétipos e símbolos não é contrariar o que a velha me disse? Se a vida é um vazio é por que ela é um evento de causalidade físico-química. Não uma singularidade, mas a repetição de um ciclo ininterrupto de transformação da matéria. Optei por me iludir e me instruir que essa organicidade toda é uma tolice. Quero dizer, foda-se!


Enfim, me pergunto se continuaremos a ter aquelas nossas conversas pela madrugada, se agora você está há onze fusos horários daqui. A carta tá me lembrando os papos de bêbado no Marinho. Eu queria te perguntar sobre o crepúsculo, pois senti tuas letras tingidas por uma cor de sol se escondendo por trás das águas, num tom laranja-rubro. E eu que nunca gostei de escrever cartas vou ter que te aturar agora nessa escrivinhação. Ponto. Cansei. A vida é mais bela que vazios. A vida é bela mesmo que no abismo de um monstro vazio. Eu aprendi a criar sentidos e agora criei um sentido para a tua ausência.


Um abraço meu a Fahan! Ele já deve saber quem eu sou...


Ernesto Rocatti


Ps. As coisas nos fascinam por se permitirem inesperadas.



[Publicado originalmente no Hiperfocus em 1/10/2003 10:06:20 PM]

postado por Flávio | 22:56 | |








Amigo,



Como sabes, me mudei para Christmas Island. Aloísio Ambróz me disse ter contado a você na semana passada sobre meu destino escolhido. Contei a poucos já que poucos são os brilhos no meu céu de amigos. Me perdoe o propósito esquecido, mas sei que farias de tudo para não ter ido. Nos poupei, quero dizer - foi isso. Mas enfim, aqui estou e é hora de te falar das coisas que me agradam dizer.


Logo ao chegar, fui entrevistado pelo Intendente Geral chamado Ti Ping Ho. A tudo que eu respondia, ele me respondia com um sorriso amarelo - era como se duvidasse do meu pedido de exílio. O calor aqui é grande e a fumaça do cigarro de Ho me lembrava aquelas névoas de panela de pressão. Ele carimbou sete papéis e assinei outros 3. Quatro para mim, três para ele e eu estava livre. No mais, foi uma questão de tempo. Moro há 200 passos do mar no meio de uma estrada que leva ao farol. Achei melhor não me arriscar com tempestades e inundações de caranguejos. Sim, Christmas é rodeada por caranguejos vermelhos. Muito bons para comer, nada bons quando resolvem nos comer. Vi uma senhora na vila correr até o porto com um vermelhinho destes cravado em seus ossos esquálidos. Os malaios me tratam muito bem, os chineses sempre sorrindo como se soubessem algo que não sei - e eles sabem. Os australianos, tanto faz, tanto fez. Há muitos deles nos bares, poucos deles na vida da cidade. E aqui sou o único brasileiro, fato inédito nas transmissões de futebol internacional. Fiquei amigo de um velho malaio de nome Fahan, o alegre. Eu entendia muito pouco do inglês malaio dele. Mas ele apontava para as casas, para o céu, mar e pessoas, fazia quadrados e círculos no ar e me apontava dedos. Ao final de tudo, a boca de três dentes dava uma gargalhada e falava "Ahn!" como um pedido de concordância parecido com o nosso "né". Todas as noites eu me sentava ao lado dele e íamos contando casos, se é que alguém da minha idade pode ensinar algum caso a uma pessoa dessas. Mas ele me olhava intrigado e com olhos atentos também. Vivíamos ali naquele diálogo que pouco se entendia, mas muito se descobria.


Minha vida continua sozinha, Ernesto. Tentei escrever poemas na praia como Anchieta, mas não tenho paciência jesuita. Voltava para consertar as letras que o mar lambia e a cada conserto eu perdia um verso. Reinventava outros, mas nunca era um EU poema inteiro que nascia. Briguei com a poesia de areia e a praia agora me serve apenas para cavar buracos, coisa que sempre preferi a fazer castelos. Fahan, dia sim, dia não, me aparece com uma cesta de peixes e aponta para sua casa, sorrindo. Hoje vai ser a terceira vez que janto com ele. Sua casa é simples, mas de organização militar impecável. Me disseram que ele lutou contra os japoneses em 42 e na invasão perdera sua filha para um major. Ele anda mancando, Ernesto. A perna coxa amarrada de branco. Comprei um chapéu igual ao dele na vila, bem grande de palha e deixei a barba crescer. Queria poder dizer que chutei o balde, mas continuo preocupado com a vida. O relógio me acompanha na cabeça e acordo pela noite com o velho pesadelo de estar atrasado para entregar alguma coisa. Me lembro que a coisa foi entregue há 20 anos atrás e durmo de novo. Mas há sempre novos relógios pendurados na parede das minhas memórias. E a cada soluço do sono eles esmurram meu espírito. O espírito é forte, mas a carne é fraca, dizia o senhor. Meu espírito hoje não é forte e a carne perdeu seu sentido carnal. Ontem, depois da areia, passei a pintar poemas nas pedras. A tinta vermelha de textura grossa fez as pedras sangrarem. Foi lindo escrever "raptei meu destino à morte dos anos e me presenteei à ingenuidade ainda viva. Conjuguei meio verbo e me desfiz." para ver cada letra escorrer e mutar a cada beijo de onda. Escrevi novas linhas e o mar nova partitura. Meio cegos, o mar e eu escrevemos na pedra. Voltei vermelho, salgado e feliz. Não sobrou nada, como das vezes na areia. Mas o poema viveu em mim.


Aqui, continuo cego, Ernesto. O tempo me assombra, mas começo a aprender magias para espantar as horas. Essa carta vai em vermelho, minha alma mais azul. Fahan está aqui rindo. Meus olhos em lágrimas.



Adeus, meu amigo!



[Publicado originalmente no Hiperfocus em 12/29/2002 06:33:21 PM]

postado por Flávio | 22:54 | |


Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Acabei de fazer um testezinho sobre qual teólogo eu seria. O resultado foi este:

You scored as Paul Tillich. Você é Paul Tillich

Friedrich Schleiermacher

67%

Paul Tillich

67%

Charles Finney

50%

Jurgen Moltmann

50%

Santo Agostinho

25%

Rudolf Bultmann

25%

Jonathan Edwards

17%

Karl Barth

17%

João Calvino

8%

Martinho Lutero

0%

Anselmo

0%

Qual teólogo é você? (versão 0.1.1)
created with QuizFarm.com


Se alguém quiser saber um pouco mais sobre essas figuras, aqui estão Paul Tillich e Friedrich Schleiermacher. Tenho a leve impressão que sou um herege...

postado por Flávio | 23:58 | |


Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Feliz 2007!

Hoje é um dia feliz! O primeiro dia de um ano bom, o qual espero poder terminar com chave de ouro. Por diversas razões, estive fora daqui e muito pouco postei. Espero poder mudar isso. Neste sentido, pretendo mudar a linha editorial do Epifania. Ao invés de só postar literatura ou coisas correlatas, pretendo postar por aqui, a partir de hoje, tudo o que me der na cabeça. O Hiperfocus está paralisado há séculos e eu não tenho mais graça em postar por lá. Sendo assim, o espaço será este mesmo. Hoje descobri um novo brinquedinho - o Snap. Trata-se de um script que faz com que vejamos um preview dos links que postamos. Creio que o Epifania ficou mais "bonitim" com ele.

Enfim, tenho certeza que serei bem mais fiel aos meus minguados, porém heróicos, leitores do Epifania. Para começar, vou deixar aqui um video que gosto muito - Santa Maria de Buenos Aires do grupo de neotango Gotan Project.



Se você gostou deste video e quer tê-lo no seu hard drive, a dica é o programa vdownloader. Ele baixa os videos do YouTube e os converte para formatos .avi e mpg. Pequeno, fácil e poderoso.

postado por Flávio | 17:16 | |


Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Obrigado meu Deus. Obrigado meu pai. Obrigado.

postado por Flávio | 21:21 | |


Quarta-feira, Novembro 08, 2006



A humana árvore de Zidur

"Na lúgrube cela empoirada dos meus cuidados, há um quê de folhas verdes que teimam em se erguer. Os galhos do sustento são como linhas de cobre entrelaçadas. Perfuram o céu, perfuram a terra, perfuram a mim. E da transfusão colhida, me dou ao prazer do encharco. Três linhas a menos e nada a dizer. O texto se come às avessas. Aperto a esponja que sou à espera da fuga dos insetos. Uns sempre ficam, maledicentes. E assim vou, caminhando com as folhas de esperança, o remoer dos galhos e o aspergir dos insetos. O passo é vagoroso, o mundo é grande, mas eu o mastigo."

Zidur parou à porta do amigo. Bateu três vezes - o aviso combinado. Um sorriso acolhedor aparece. Entram. A poltrona serve agora como o espaço da lonjura próxima. Zidur fala então das últimas músicas que ouvira, conta sobre a vontade de ir ao jogo no domingo e aguarda ansioso pelo cafezinho servido. Ele repara a atriz gostosa na TV, elogia em eufemismo. Sorri. Um inseto abre as asas lá por dentro. Coloca uma perna sobre a outra, o tempo passa. Jogam cartas, buraco, quem sabe. Gritam, bebem cerveja. A patroa do amigo traz uma porção de pastelzinhos portugueses. Comeram, gritaram, riram e beberam mais. A porta se abre, entra o Cláudio, outro amigo. Fecha-se uma roda. A noite prossegue, o papo é bom. O amigo mostra as novas músicas e agora temos um misto de debate a apreciação. Um pouco mais quieto, Zidur sente o som de Ute Lemper e relembra algo não vivido. Duas, três horas da manhã, hora de ir. Despedem-se.

E tudo fizeram sem se ver. E tudo fizeram como que em um breve tocar de galhos. Na hora do café, uma folha do amigo caiu. Olharam-na, mas ninguém a pegou. No prosaico encontro, era melhor o pastelzinho a comer a vida. Zidur, discreto, fechou os olhos e sentiu o percevejo lhe correr nas costas.

postado por Flávio | 03:25 | |


Sábado, Julho 08, 2006

"Nenhum dia sem uma página"

Johann Wolfgang von Goethe.

Quisera eu ter essa persistência. Mas vou deixar aqui essa frase com poderes curativos para sempre me lembrar de escrever uma página por dia. Talvez tatuar isso na mão e olhar todo santo dia. Acho que ia ajudar muito.

postado por Flávio | 12:02 | |


Sábado, Junho 03, 2006

Amélia


O tecido de carvalho da mesa recoberto por uma poça e a visão do paraíso. Eleudina abre os olhos. A íris em flor, formada em tons de centeio e milho. A pupila negra arrematando a íris, o globo ocular recortado por línhas esquizóides de sangue. A cara alegre, os olhos abertos, o olhar daqueles que sabem. Abre o piano, a mão lânguida escorrega, toca - duas teclas, o pedal. E de súbito uma fraqueza lhe vem como que a tontear pela sala. Sons de cordas, arpejos, toques longíncuos dos anjos. A cabeça rodopia, a tonteira lhe derruba junto ao órgão. Segura-se, respira. Olha para as gotas e a poça e a mão. Eleudina inspira. O peito esguio de tez moura entreaberto em farto decote é inflado num solfejo. Os lábios se fecham como uma boca de desdém. Olha para o teto, a luz amarela, relembra a poça. Tateia de novo o carvalho, sente o caldo grosso.

Quando pequena, haviam lhe dito para não brincar com as facas da cozinha. Mas desde então, como receituário indicado, sempre roubava uma delas. A "Amélia" era sua preferida. O cabo quebrado lhe fizera trançar cem cordas em volta. Mas o corte era bom. Boa de segurar, boa de cortar. Mas acima de tudo lhe divertia enfiar a amélia nas sacas de feijão que a tia comprava a cada semana. Seus olhos orbitados contemplavam o brilho, a língua lambia o corte da lâmina. A faca entrava, saía, mergulhava. Era uma repetição fálica, quase-sabia. Vários tapas por isso recebera. Tapas no ouvido de perder o rumo. Chorava, corria, mas a faca ninguém pegava. Era dela, só dela. Amélia dormia em sono de vigília, um olho meio aberto, sempre. Amélia ao lado, à esquerda.

Por vez surgia-lhe o espantamento. Um quê de não saber o propósito das coisas. E já não sabia por onde e nem quando viera a paixão por Amélia. E já não mais... no esquecimento também queria-lhe ao lado. Sua filha lhe gritava: "Mããe! ôh minha mãe, larga isso, larga dela". Mas corria. Eleudina abria os olhos, sorriso daqueles que sabem, voltava ao quarto. Ajoelhava-se, orava, sentia os ossos cutucarem a pele no ombro. "Aaaahh maldita, pensava! Éh! É ela o diabo! Tá me querendo! Tá te querendo!" E então abraçava Amélia junto ao peito e dançava. Aaaahhh como Eleudina dançava. Os tacos carcomidos dos vários rodopios como testemunhas eternas da insava vontade. Mas... "sshhh ninguém pode saber! Vocês! Fiquem quietos"... O dedo bravo apontava para o chão.

O marido a deixara há quatro anos. Não ligara. Acordava sempre com o travesseiro ensopado, mas nunca deu a isso um porquê. "Vou cozinhar, éh!" Mas de novo, como uma dor agora doce, a língua molhada engasga, a pele fria. Cai.

E de súbito a luz da porta aberta, Amélia, a filha com ela junto ao peito. A luz e um corpo. Nada mais.

postado por Flávio | 00:09 | |


Segunda-feira, Abril 10, 2006

Eu vivo na cidade ao lado onde mora o esquecimento de mim.

postado por Flávio | 22:51 | |


Sexta-feira, Março 24, 2006

Violando a tarde

"Uma cor violácea, uma cor que viole a negritude do humor, que a violente e transforme em aberta rosa os lábios do olhar..." Ele pensava em rimas tortas e pedaços de versos, perdido num redimunho de imagens. A rua cinza, concreto escuro, desfralda num aqui-ali de angulares pedras. A chuva cai em pingos de água mole. Pedaços de flor lhe cercam pelo chão e o banco. Pedaços de violácea cor. Ricardo estende a mão, um pedaço de braço à sombra do paletó. A água e uma pétala púrpura, pedaço de rosa aberta lhe cai pela face. Lembrou-se da aula e da perda, da semana e da noite, maldormida. Malcomida vida de não-fazer, mal agrúrios retocados de esperança. A mão desliza a face áspera como o dia desliza o corpo áspero. Uma ruga ergue a testa enquanto o pingo, grande, lhe cai ao lábio. O gosto terra, meio água-suja, meio... a cor, violácea... seus pensamentos retomam o rumo do verso. Teima em terminar e busca a palavra final. Quer a custo violar o rumo de seus passos, ali parado. Emenda um verso, recorta a memória, engole em seco.

Ricardo, de sobrenome Cruz, não está só. A perda da semana lhe acompanha, mas também a chuva e também o minuto agora em paz. Aperta o lábio, morde a boca, responde enfim ao poema da pergunta. A caneta escreve, o papel aceita. "Meu verso último não rima, nasceu violado, mal enfeita. É um lírio, estranhezas em receita, um mar de rosas, uma flor qualquer, desejo, vontade de me jogar, vontades de ti querer, querer nos girar, virar, morrer, matar... solilóquio só de afetos a sangrar o dia, rompendo as sombras do humor."

O livro se fecha, mal poema, comentários a fazer. O passo segue, a rua molhada. Mas a violácea flor saiu dali, grudou no paletó.

postado por Flávio | 00:07 | |


Quarta-feira, Março 15, 2006

A volta do boêmio

postado por Flávio | 19:01 | |


Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Este blog se encontra no sétimo dia da Criação.

postado por Flávio | 21:47 | |


Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Gostaria de convidar a todos para conhecer o recém criado blog de meu amigo Domenico. Prudence, meus amigos! Prudence.

postado por Flávio | 15:18 | |











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