Acho que não há quem não se encante com as coisas da infância. Deve ser coisa dos meninos e meninas que se escondem por baixo dos nossos disfarces de gente grande.
Há dias em que me dedico ao suave murmurar do nada. Há dias em que me dedico a olhar o dia passando. E tudo, quase tudo, me parece o gesto do ponteiro repicando segundos. Há dias em que não vejo o sol e há dias em que mergulho na luz dos amperes. Nestes eu me colo ao tempo como uma pintura de Goya. De olhos estatelados, sempre abertos, me impressiono. Eu me assusto suavemente em pálpebras largas. Há dias, e este é um deles, em que meus olhos empalam as fotos da vida. Rasgo as lembranças e amacio as pequeninas coisas. Vejos os contornos, as cores e os tons, bem colados à parede. E os sentidos ocultos se perdem na distância mais oculta. Pois o sentido é dos dias me desfazer dos sentidos. Pois há dias, e este é um deles, em que me desfaço junto à parede.
Um vendedor ambulante de barbitúricos em formas de cordel, bem como quimeras travestidas de alfarrábios.
Nascido no século XII d.C. na paradisíaca Christimas Island, vem tentando sobreviver através de sucessivos mergulhos decenais nas bentas águas da lagoa do velho Estevão.
No momento, trafica armas em Timbuktu, após o horário do café vespertino.
1 comentários:
Flávio,
Acho que não há quem não se encante com as coisas da infância. Deve ser coisa dos meninos e meninas que se escondem por baixo dos nossos disfarces de gente grande.
Bjo
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