★ Flávio Souza Cruz ★

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★ M A G I C ★

★ F A N T A S Y ★

terça-feira, março 15, 2005

Quem pudera trazer do tremular do parado ar o escaldar da movediça curva em calor. A mão espalmada tocando o pescoço melada em suor. O dorso esguelando e contorcendo o tempo, efeito vago. A pele arde, queima e morre em gotículas. O olhar bem aberto vendo o tempo e aquilo, aquilo era tão... tão doce... os olhos do menino, na beira da estrada. O olhar, sorrindo, voltado pra terra, para as mãos em terra. Os carros passam, desenhando espectros no calor. O suor pregando a roupa e o calção pregando o corpo. O dobrar das mãos arrastado no minuto a rodopiar o graveto. O dobrar do graveto rodopiando o mundo e tudo, bem tudo, bem lento, bem santo e lento. A criança era eu e o tempo era Deus. O buraco desenhado, o graveto, a torre de lama seca, a formiga. Quem pudera me trazer de novo no tremular do parado tempo. E a movediça curva do amor, me resgatar dos prazeres de mim mesmo. Quem me dera resgatar o graveto, a torre e as formigas e me perdoar pelos dias enfurnados em buraco. Eu seria um menino numa tarde sábado, uma criança num dia de sol, tão somente um menino tremulando ao som do calor.

E tudo, tudo pulsava tão forte... E dizia o menino a mim mesmo "eu vou morrer assim... em partos sucessivos"

segunda-feira, março 14, 2005



Há de se ter um em torno. Há de se ter um em torno da volta. Há de se ter um - lugar, um marco no plano, mais que retorno. Há de se ter marco no mapa, mais que em torno. Círculo cêntrico, círculo múltiplo em toda a esfera. Ceteris mapas, ceteris mundis, circulus maximus.

Em torno do azul do em todo o laranja, cor em barro de enlameadas mãos. Terras de outrem, terras de mim, circulum máximo, borra-se o plano. toca-se a linha, pés em terra.
A vida é um
circulum minimum, esferas de máximos, em torno dos homens, cruzando rabiscos, à espera do mar. Doce mar.

domingo, março 13, 2005


Eu vou... eu vou... pra Christmas um dia eu vou... eu vou... eu vou... eu vou!

sexta-feira, março 11, 2005

O vazio é sempre um querer. Ele pulsa como almofada a se contrair. Revolve o estômago, aperta o átrio. Sobe visceral, remexendo a fronte em ânsia. Melancolia nos olhos, ânsia de palavras. Maria do Rosário cansou-se dos vazios. No movimento dos anos, em arrebitar de querência, Maria se enfiava de paixão. De paixão se enfiava pra num rasgar lhe tirarem. De fé se enfiava pra num roubar lhe tirarem. Batia o pé, teimava. De trabalho se enfiava pra num chutar lhe tirarem. Maria sentia o time, outra e paixão. Mas este, quando muito, era uma rapidinha no poste. Maquiava-se, vestia-se, metia-se. Seu rosto quase belo, coisa de atriz aos 50. Um olhar noturno, uma pálpebra fechada. Duas.

A porta se abre erguendo a pupila. O estômago a envolve, vazio. Tempo da conta do rosário. Hora de enfiar mais um dia.

quinta-feira, março 10, 2005

O dedo, anular, procurando o centro da mão. A mão, quase-aberta, procurando o centro da força. A força, meio fraca, procurando o eixo do corpo. O corpo, meio velho, procurando o prumo da alma. A alma, absorta, procurando uma roupa teatral. A roupa, meio tosca, procurando a mão pra lhe sentir. A mão, quase fechada, baixando a calça num despir. O corpo, quase nu, procurando um colo para deitar. O colo, penitente, procurando palavras pra contar. A palavra, agora quente, procurando a ânsia pra tocar. A ânsia, bem tocada, procurando a alma pra voar. A alma, já latente, procurando a outra pra tocar. A outra, já presente, procurando o dedo anular. O dedo, lábio e dente, procurando pêlos a plainar. O pelo, eriçada a mente, procurando o corpo a pousar. O corpo, molhado e jovem, encontradando prumos a sentar. O prumo, rodadando o eixo, encontrando a força toda aberta. Aberta, toda ela, olhar e dente, encontrando o dedo anular.

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